A
concessionária responsável pelos serviços de abastecimento de água e
esgotamento sanitário em Alta Floresta voltou a ser alvo de críticas após o
aumento das reclamações registradas por moradores do município. Entre as
principais queixas estão o valor elevado das tarifas, cobranças contestadas,
interrupções no fornecimento de água e demora na recuperação de vias após obras
realizadas na rede.
As
discussões ganharam força durante uma reunião realizada na Câmara Municipal,
que contou com a presença de representantes da empresa, do Procon, da
Secretaria de Cidade e da agência reguladora municipal. O encontro teve como
objetivo esclarecer dúvidas da população e discutir possíveis soluções para os
problemas apontados pelos consumidores.
Segundo
relatos apresentados durante a reunião, diversas famílias afirmam ter percebido
aumento significativo nas contas de água nos últimos meses. Há casos em que
faturas que antes giravam em torno de R$ 40 passaram para valores superiores a
R$ 180, chegando próximo de R$ 500 em algumas situações.
Além
das reclamações sobre os preços, moradores também demonstraram preocupação com
a qualidade da água distribuída em determinados períodos. Entre os problemas
relatados estão água com aparência barrenta, baixa pressão na rede e
interrupções frequentes no abastecimento em alguns bairros da cidade.
Outro
tema debatido foi o risco de falta de água durante os períodos de seca.
Representantes da concessionária admitiram preocupação com os impactos da
estiagem e informaram que existe um projeto em análise junto ao município para
a construção de três barragens na área de captação. A medida busca ampliar a
reserva hídrica e reduzir os riscos de desabastecimento nos próximos anos.
A
recuperação do asfalto após obras na rede de água e esgoto também gerou
críticas da população. Conforme informado pela empresa, o serviço de
recomposição passou a ser realizado diretamente pela própria concessionária,
sem terceirização, com a promessa de maior rapidez na execução dos reparos.
Outro
ponto que provocou questionamentos foi a cobrança da tarifa de esgoto em
localidades onde moradores alegam não possuir rede coletora disponível. De
acordo com a empresa, parte dessas cobranças estaria relacionada a dados
herdados da antiga administração do sistema. A concessionária afirmou que os
casos estão sendo revisados e que as cobranças serão suspensas onde não houver
cobertura de esgotamento sanitário.
A
taxa de religação de água após corte por inadimplência também voltou ao centro
das discussões. Moradores argumentam que a cobrança contraria legislação
municipal aprovada em 2023, que proíbe esse tipo de tarifa em serviços
essenciais no município. O entendimento possui ainda respaldo em decisões do
Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Durante
o encontro, também foram discutidos os problemas envolvendo imóveis localizados
abaixo do nível da rede de esgoto, conhecidos como “soleiras negativas”. Nesses
casos, é necessário instalar sistemas de bombeamento para garantir o
funcionamento adequado da ligação, situação que, segundo relatos, tem gerado
custos elevados para muitas famílias.
Diante
do aumento das reclamações, consumidores estão sendo orientados a registrar
denúncias junto ao Procon e aos órgãos de fiscalização, principalmente em
situações envolvendo cobranças consideradas indevidas, falhas no abastecimento
ou problemas relacionados ao serviço prestado.