O estado de Mato Grosso deve confinar 1,33
milhão de bovinos neste ano, uma alta de 43,41% em relação ao volume
consolidado no ano passado, quando foram confinadas 928,67 mil cabeças. A
estimativa consta no 2° levantamento de intenções de confinamento do Instituto
Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado em 17 de agosto. O
estudo também mostra a expectativa de avanço da atividade, mesmo com um cenário
de custos e preços exigindo cautela dos pecuaristas.
Entre os produtores consultados em julho,
56,47% afirmaram que pretendem realizar o confinamento neste ano, enquanto
38,82% disseram que não devem utilizar o sistema e 4,71% ainda estavam
indecisos.
De acordo com o Imea, um dos principais
pontos observados foi o comportamento dos custos da alimentação. Na comparação
com a média de 2025, o preço do milho foi para R$ 44,39, um recuo de 13,86% por
saca. Também houve redução nas cotações do caroço de algodão (-24,18%), do DDG
(-15,60%) e do farelo de soja (-2,47%).
Apesar dessa queda nos principais insumos
da alimentação dos animais, a diária média do confinamento no estado subiu para
R$ 13,62 por cabeça, um crescimento de cerca de 3,54% em relação a abril e de
3,57% ante 2025. Segundo o Imea, o movimento está relacionado principalmente à
valorização dos animais de reposição.
O novo levantamento também mostra que o
preço do bezerro de 12 meses aumentou 13,06% na comparação anual. Ainda assim,
o abate das fêmeas recuou 17,11% em julho, sinalizando um movimento de retenção
de matrizes e contribuindo para a menor disponibilidade de animais para
reposição.
O estudo feito pelo instituto também
mostra que esse cenário afetou a relação de troca. Em julho, eram necessários
cerca de 2,16 bezerros para a compra de um boi gordo, uma queda de 6,09% em
relação à relação registrada em 2025. Na prática, o pecuarista precisa de uma
quantidade maior de capital para formar o lote que será levado ao confinamento.
Nesta edição, o levantamento indica que em
Mato Grosso há diferenças no custo da arroba produzida conforme o tamanho do
confinamento. Entre as propriedades avaliadas, o custo médio oscila de R$
220,50 e R$ 235 por arroba.
Os confinamentos com até 1 mil cabeças
apresentaram custo médio de R$ 220,50/@. Já os estabelecimentos com 3.001 a 5
mil animais registraram o maior custo, de R$ 235/@. Nos grandes confinamentos,
com mais de 5 mil cabeças, o custo médio ficou em R$ 223,13/@.
Na pecuária mato-grossensse, o preço da
reposição continua sendo a principal preocupação, apontado por 23,76% dos
entrevistados. Na sequência aparecem o preço do boi gordo, com 19,80%, questões
políticas (15,84%), baixa lucratividade (10,89%) e o cenário geopolítico e do
mercado externo (8,91%).
De acordo com o Imea, o comportamento da
arroba também ajuda a explicar a cautela. Depois de atingir R$ 360,01/@ em
abril, o preço recuou para R$ 312,94/@ e chegou a R$ 324,17/@ em julho.
O alerta no segundo semestre
Para o segundo semestre, o calendário está
concentrado nos abates. De acordo com o instituto, 80,74% dos animais
confinados devem ser abatidos até o final do ano. Dentro desse volume, 48,31%
das entregas estão previstas para ocorrer entre setembro e novembro.
A concentração acontece em um período
considerado sensível para o mercado, já que coincide com o esgotamento da cota
de importação de carne bovina da China. A expectativa é de retomada dos
embarques a partir do fim de outubro, já considerando a cota de 2027. Diante
deste cenário, 33,33% dos produtores consultados utilizaram contratos a termo
com frigoríficos, envolvendo 17,52% do total de cabeças projetadas.
Outros 30,23% afirmaram ter realizado
operações na B3, protegendo 14,44% dos animais. As estratégias buscam reduzir a
exposição às oscilações do preço do boi gordo no momento da entrega dos
animais.
Apesar do crescimento projetado de 1,33
milhão nas intenções de confinamento, em relação a comparação anual, o número
representa uma revisão de 7,71% para baixo em relação ao primeiro levantamento,
publicado em abril, quando a expectativa era de 1,44 milhão de animais
confinados.

