A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) abriu um procedimento administrativo para apurar as denúncias de manifestações de cunho racista e misógino atribuídas a estudantes do curso de Economia em grupos de WhatsApp. A medida foi adotada nesta segunda-feira (5), após um print de uma conversa passar a circular nas redes sociais.

De acordo com a UFMT, a denúncia foi encaminhada pela Ouvidoria da Universidade à unidade competente, que já está adotando as providências administrativas cabíveis, conforme a legislação vigente e o Regimento Disciplinar do Corpo Discente.

A universidade informou que o procedimento tramita sob sigilo e, por isso, não pode divulgar nomes, número de envolvidos ou o conteúdo das manifestações. Eventuais esclarecimentos serão prestados pelas instâncias responsáveis, dentro dos limites legais relacionados ao sigilo e à proteção de dados.

A UFMT explicou ainda que a apuração seguirá os procedimentos internos previstos na regulamentação institucional, podendo haver, quando cabível, a constituição de uma comissão para análise dos fatos e adoção das medidas administrativas pertinentes.

Além da apuração administrativa, o caso também foi formalizado junto à Polícia Civil. Conforme o boletim de ocorrência, um homem de 31 anos relatou que um colega da universidade, do mesmo curso, teria enviado mensagens de cunho machista e racista em um grupo de WhatsApp.

O caso foi encaminhado para a 3ª Delegacia de Polícia de Cuiabá – Repressão aos Crimes de Menor Potencial Ofensivo, que ficará responsável pelas providências cabíveis.

 Print de conversa em grupo do WhatsApp.

Entenda
O caso veio à tona após um print de conversa em um grupo de WhatsApp formado por alunos e responsáveis pelo curso de Economia da UFMT passar a circular nas redes sociais. A imagem mostra uma mensagem de cunho racista.

O Centro Acadêmico de Ciências Econômicas (CAECO) afirmou que, além do registro que circulou, outras mensagens, áudios e figurinhas de teor racista e misógino teriam sido compartilhados em grupos utilizados por estudantes nos dias 3 e 4 de outubro.

Segundo a entidade, manifestações racistas ocorreram inicialmente no grupo “INFORMES-ECONOMIA”, administrado pelo Centro Acadêmico. Após os episódios, os alunos responsáveis teriam sido removidos e o grupo foi restringido aos administradores.

Ainda conforme o Centro Acadêmico, durante a madrugada do dia 4, novas manifestações teriam ocorrido no grupo “GERAL”, administrado pela Atlética Monopólio.

A entidade publicou uma nota de repúdio e defendeu a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos conforme as normas institucionais.

                                                                                              Reprodução/Instagram

Nota de repúdio publicada pelo Centro Acadêmico nas redes sociais.

Confira nota da UFMT na íntegra:
“A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), via Faculdade de Economia, Campus Cuiabá, informa que a denúncia relacionada às manifestações de cunho racista e misógino atribuídas a estudantes do curso de Economia foi encaminhada, nesta segunda-feira (5), pela Ouvidoria da Universidade à unidade competente, que já está adotando as providências administrativas cabíveis, em conformidade com a legislação vigente e com o Regimento Disciplinar do Corpo Discente.

Por se tratar de procedimento que tramita sob sigilo, a UFMT não pode fornecer informações sobre nomes, número de envolvidos ou conteúdo das manifestações. Eventuais esclarecimentos sobre o procedimento serão prestados, quando cabíveis, pelas instâncias institucionais competentes, observados os limites legais de sigilo e proteção de dados.

A Universidade esclarece que a apuração seguirá os procedimentos internos previstos na regulamentação institucional, incluindo, quando cabível, a constituição de comissão competente para análise dos fatos e a adoção das medidas administrativas pertinentes, assegurados o contraditório e a ampla defesa.

A UFMT reafirma seu compromisso com o respeito à diversidade, à dignidade das pessoas e com a manutenção de um ambiente universitário livre de discriminação e violência”.