A gordura no fígado (esteatose hepática metabólica) atinge cerca de 30% da população mundial. Sem o devido acompanhamento, a condição pode evoluir para quadros graves como esteato-hepatite, fibrose, cirrose e necessidade de transplante. Contudo, o avanço dos medicamentos análogos de GLP-1 tem transformado o tratamento dessas complicações metabólicas.
Em entrevista, a médica endocrinologista Claudia Santana ressaltou a gravidade da doença hepática e o impacto das novas terapias.
"30% da população mundial tem gordura no fígado, né? Em média, dali uns 15% vai progredir. Só que 15% falando em população mundial é muita gente. E eu brinco: fígado não encontra no Mercado Livre para comprar", alertou.
A especialista destacou que medicamentos como a semaglutida têm demonstrado capacidade de interromper e até reverter os danos ao órgão.
"Ela vira ali uma gordurinha que evolui para uma esteato-hepatite, que evolui pra fibrose. Inclusive a semaglutida ela é aprovada já em fase de fibrose, ela está revertendo fibrose do fígado. Da fibrose já vai pra cirrose. Muitos pacientes têm limpado o fígado, zerado a esteatose hepática metabólica" .
Apesar dos benefícios metabólicos, o uso sem orientação médica ou a perda de peso acelerada podem gerar complicações na vesícula biliar. Claudia Santana explicou que o fármaco em si não causa o problema, mas sim o ritmo do emagrecimento e a mudança brusca na alimentação.
"A medicação não causa pedra na vesícula. O que causa a pedra na vesícula é o emagrecimento. E quanto mais rápido esse emagrecimento,passou ali de 1,5 kg por semana, maior a chance do paciente desenvolver os cálculos de colesterol", apontou.
Segundo a endocrinologista, o uso de canetas reduz drasticamente a ingestão de alimentos gordurosos, os quais costumam causar mal-estar ou diarreia sob o efeito dessas medicações. O alerta surge quando pequenos cálculos migram pela via biliar e chegam ao canal pancreático.
"E aí se você faz uma pancreatite aguda, se ela for grave, ela pode ser fatal. Então a taxa de mortalidade de uma pancreatite grave é muito alta".
Além do risco à vida, ter um episódio severo de inflamação no pâncreas impede o paciente de utilizar novamente essa classe de medicamentos. "Se você teve uma pancreatite grave, aí você não é mais candidato ao uso dos análogos. É uma das pouquíssimas contraindicações de usar análogo ainda hoje: é a pancreatite grave prévia ou câncer de pâncreas, né, ou doenças graves do pâncreas", concluiu a médica, reforçando a necessidade de avaliar a vesícula antes de iniciar o emagrecimento.
Confira o trecho da entrevista:

