O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), criticou a deflagração da Operação Heritage pela Polícia Federal nessa quinta-feira (6), em pleno período eleitoral, e afirmou que o vazamento prévio de informações sobre a ação comprometeu a credibilidade da investigação.

Segundo Abilio, o fato de lideranças políticas, como o ex-governador e candidato ao Senado Pedro Taques (PSB) e o senador Jayme Campos (União), já terem anunciado publicamente que a operação ocorreria antes mesmo de seu cumprimento levanta questionamentos sobre a condução do caso e contamina o processo investigatório. O prefeito também citou um áudio atribuído a uma irmã de Jayme Campos em que ela dizia que "do dia 5 não passa", fazendo referência à ação policial contra o ex-governador Mauro Mendes (União). 

"O que eu entendo de ruim para esse processo da investigação eu acho que é o vazamento até da data, porque parece que alguém, não sei se o Pedro Taques ou o Jayme, já dizia que a operação ia acontecer até o dia 5. Estavam dando várias entrevistas falando que ia acontecer", declarou.

O prefeito também questionou a realização da operação durante o período eleitoral. De acordo com ele, investigações contra candidatos deveriam ocorrer apenas em situações de flagrante ou quando os fatos estivessem acontecendo naquele momento.

"Existe uma situação, acho que do CNJ, que fala que operações durante o período eleitoral contra candidatos devem ser feitas somente se o caso estiver ocorrendo naquele momento, se a infração estiver ocorrendo naquela situação. Pelo que eu soube isso é uma investigação de um assunto que tem dois anos parece", afirmou.

Na avaliação de Abilio, o suposto vazamento de informações privilegiadas por quem conduziu o processo da operação acabou politizando a investigação, prejudicando, assim, o trabalho da Polícia Federal.

"Eu acredito que contaminou o processo da investigação, prejudicou um pouco o procedimento deles. Não vejo que talvez seja interesse da Polícia Federal fazer isso, até porque eles têm um interesse de preservar a imagem deles, mas quem conduziu esse processo, ao passar informações privilegiadas das circunstâncias ou transformar isso em um ato político, acabou prejudicando todo o trabalho da investigação", disse.

Operação

A Operação Heritage foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, e deflagrada pela Polícia Federal para apurar um suposto esquema envolvendo um acordo milionário firmado entre o Governo de Mato Grosso e a Oi S.A. A principal suspeita é que tenha ocorrido crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro e uso indevido de informação privilegiada.

Consta na decisão do ministro, indícios de que a estrutura financeira investigada teria sido utilizada para desviar mais de R$ 308 milhões em recursos públicos, por meio de fundos de investimento em cascata e empresas interpostas para ocultar a origem e o destino dos valores.

Entre os principais alvos da operação estão o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), candidato ao Senado; a primeira-dama Virginia Mendes (União Brasil), candidata à Câmara Federal; os filhos do casal; além do desembargador Ricardo Gomes de Almeida, que teve o passaporte apreendido. Também foi alvo de buscas o gabinete da subprocuradora-geral Administrativa e de Controle Interno da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), Fabíola Paulino Garcia, irmã do deputado federal Fabio Garcia (União Brasil), candidato a vice-governador.

Ao todo, 31 pessoas estão sendo investigadas. 

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