Sebastião Lauze Queiroz de Amorim, conhecido pelos apelidos de "Véio", "Dandão", "Vovô" e "Dono da Quebrada", passará por perícia médica nesta terça-feira (4), às 7h, no Hospital Estadual Santa Casa, em Cuiabá. Ele é réu por integrar uma facção envolvida com jogos de azar, tráfico de drogas, estelionato e lavagem de dinheiro e foi alvo da Operação Ludus Sordidus, deflagrada pela Polícia Civil em agosto do ano passado.

A perícia será realizada por um médico cardiologista, que deverá esclarecer quais enfermidades e comorbidades Sebastião apresenta atualmente, qual é seu estado clínico e cardiovascular e se ele tem cardiopatia grave com risco de infarto, arritmia grave, insuficiência cardíaca ou morte súbita.

De acordo com a defesa, o réu tem histórico de infarto, cardiopatia grave, 99% das artérias comprometidas, hipertensão severa, diabetes mellitus e faz uso contínuo de mais de dez medicamentos controlados.

Após ser alvo da Operação Ludus Sordidus, Sebastião Lauze foi preso, mas foi beneficiado com prisão domiciliar, mediante o uso de tornozeleira eletrônica, em razão dos problemas de saúde. Contudo, segundo investigações da Polícia Civil, ele continuou participando de atividades ilegais e acabou sendo preso novamente no dia 8 de setembro do ano passado.

Desde então, está na Penitenciária Central do Estado (PCE).

Investigações

Sebastião Lauze é presidente de um time de futebol amador na Capital e, de acordo com a Polícia Civil, utilizava a função como fachada para movimentar esquemas de jogos de azar, estelionato, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro vinculados à facção.

Ainda conforme as investigações, ele e outros 14 comparsas detinham influência sobre determinadas regiões da cidade, chamadas de "quebradas", onde impunham regras e garantiam participação nos lucros das atividades ilícitas.

Apenas com uma plataforma de jogos clandestina, o grupo recebia 10% de todo o faturamento, além de repasses provenientes do tráfico de drogas e de golpes aplicados pela internet.

As apurações começaram em dezembro de 2023, quando uma reunião comunitária no bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá, foi interrompida por faccionados. Na ocasião, moradores foram ameaçados em uma demonstração de força motivada por interesse político ligado a um dos investigados.

No dia 21 de agosto de 2025, a Polícia Civil cumpriu 38 ordens judiciais, incluindo 10 mandados de prisão preventiva, oito mandados de busca e apreensão, sequestro de imóveis e bloqueio de contas que somam mais de R$ 13,3 milhões. As ações ocorreram em Cuiabá, Várzea Grande e Nova Odessa (SP).

Durante o cumprimento dos mandados, um irmão de Sebastião, João Bosco Queiroz de Amorim, de 47 anos, reagiu à abordagem policial no bairro Osmar Cabral e acabou baleado. Ele foi socorrido e encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), mas chegou à unidade sem vida.

João Bosco era alvo de um mandado de prisão preventiva por participação no esquema criminoso.

Sebastião e os outros 14 réus respondem na Justiça por organização criminosa, contravenção penal por jogos de azar e associação para o tráfico de drogas.