A juíza Henriqueta Fernanda C. A. F. Lima, do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cuiabá, homologou nesta quinta-feira (30), após audiência de custódia, o cumprimento dos mandados de prisão e manteve presos a advogada Dayane Karol Moreira da Silva; Emerson Ferreira Lima, conhecido como Gordão; Alex Júnior Santos de Alencar, o Alex Soldado; e Brunno Passos da Silva, ex-assessor parlamentar do vereador Jefferson Siqueira (PSD).
Os quatro são investigados na Operação Replay, deflagrada pela Polícia Civil contra um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio de uma facção criminosa liderado pelo tesoureiro Paulo Witer Farias Paelo, o W.T.
No caso da advogada Dayane Karol Moreira da Silva, a defesa requereu a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar, alegando que ela é mãe de uma criança de oito anos e responsável por seus cuidados.
Também questionou a legalidade da busca e apreensão realizada durante a operação e apontou supostas violações às prerrogativas da advocacia. A juíza, porém, entendeu que essas questões deverão ser analisadas pela magistrada responsável pela investigação e determinou apenas que o sistema penitenciário observe o direito da custodiada ao recolhimento em local adequado à sua condição de advogada, até nova decisão.
A defesa de Alex Soldado pediu a revogação da prisão preventiva, alegando que ele possui residência fixa, trabalho lícito como jogador do Operário de Várzea Grande e é pai de duas crianças pequenas.
Já os advogados de Brunno Passos da Silva e Emerson Ferreira Lima solicitaram acesso aos autos e habilitação no processo. Nenhum dos pedidos foi analisado na audiência de custódia, pois a juíza considerou que a competência para decidir sobre a manutenção ou eventual revogação das prisões é da magistrada responsável pelo processo.
A Operação Replay é um desdobramento das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra e foi deflagrada pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO) para desarticular o núcleo financeiro de uma facção criminosa.
Segundo a Polícia Civil, a advogada Dayane Karol Moreira da Silva utilizava sua atuação profissional para ocultar patrimônio milionário ligado ao tesoureiro W.T. Conforme o delegado Victor Hugo Caetano, da GCCO, ela atuava como procuradora de imóveis registrados em nome de terceiros na cidade de Itapema (SC), conferindo aparência de legalidade aos bens adquiridos com dinheiro do crime organizado.
Já Alex Soldado foi apontado como um dos principais homens de confiança de W.T. em liberdade, atuando na lavagem de dinheiro e em outras atividades em favor da facção.
Emerson Ferreira Lima, o "Gordão", foi identificado como o principal operador financeiro do tesoureiro.
Brunno Passos da Silva, ex-assessor parlamentar do vereador licenciado Jefferson Siqueira (PSD), também foi preso durante a operação e acabou exonerado do cargo pela Câmara Municipal de Cuiabá.
As investigações apontam que Paulo Witer Farias Paelo continuava comandando o esquema de dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), utilizando celulares para determinar a compra de imóveis, veículos, ocultação de patrimônio, movimentações financeiras e até a prática de crimes em benefício da organização criminosa.
Ao todo, a Operação Replay cumpriu 55 ordens judiciais em Cuiabá, Várzea Grande, Rio de Janeiro (RJ), Itapema (SC), Balneário Camboriú (SC) e Camboriú (SC). Foram apreendidos nove imóveis, seis veículos e cumpridos mandados de prisão, busca e apreensão.
A Polícia Civil estima que aproximadamente R$ 20 milhões em patrimônio tenham sido sequestrados. Entre os bens bloqueados estão três imóveis de alto padrão em Santa Catarina, incluindo um apartamento de frente para o mar em Balneário Camboriú e uma residência em condomínio de luxo, avaliados em cerca de R$ 6 milhões.
