Cinco trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em uma empresa de reciclagem de Rondonópolis (a 218 km de Cuiabá). A operação foi realizada por auditores-fiscais da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso (SRTE-MT), após uma denúncia encaminhada ao plantão fiscal da Gerência Regional do Trabalho.
A fiscalização ocorreu na segunda-feira (22) e encontrou uma série de irregularidades tanto no ambiente de trabalho quanto nos alojamentos onde os funcionários viviam.
Segundo os auditores, os trabalhadores operavam máquinas antigas, sem manutenção e sem equipamentos de proteção individual (EPIs). Eles também relataram que sofriam choques elétricos com frequência durante o uso dos equipamentos.
Além disso, a equipe constatou jornadas exaustivas. Os expedientes começavam às 5h30 e, em muitos dias, só terminavam depois das 22h.
Entre os cinco resgatados, três eram de cidades do interior de Mato Grosso. Os outros dois, pai e filho, moravam em Rondonópolis.
A fiscalização também identificou que um casal foi contratado após receber falsas promessas de emprego. Eles viviam em um quarto sem armários, com pouca ventilação e sem roupas de cama. O banheiro era compartilhado com todos os trabalhadores.
No alojamento, também não havia fornecimento regular de água potável. Segundo a fiscalização, os empregadores levavam água em garrafas PET e alimentos recolhidos das sobras de feiras livres eram destinados ao consumo dos funcionários.
Outro trabalhador dormia dentro do barracão onde funcionava a empresa, em um espaço improvisado, sem privacidade e sem condições mínimas de higiene, conforto ou proteção contra o calor e a chuva.
Após o resgate, os auditores calcularam as verbas trabalhistas devidas às vítimas. Os três trabalhadores vindos do interior foram encaminhados para um hotel, onde permanecerão até retornarem às cidades de origem.
Os cinco resgatados também foram habilitados para receber o Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado.
Agora, a Superintendência do Trabalho irá elaborar um relatório da fiscalização. Com base nesse documento, a empresa poderá ser autuada por submeter funcionários a condições análogas à escravidão.
O empregador ainda terá direito à ampla defesa durante o processo administrativo. Se as irregularidades forem confirmadas ao fim da investigação, a empresa poderá ser incluída no Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como "lista suja" do Ministério do Trabalho.