O município de Alta Floresta celebra nesta terça-feira, 19 de maio, cinquenta anos de fundação. Meio século de uma trajetória marcada pela coragem dos pioneiros, pela força do trabalho coletivo e pela transformação de uma região da Amazônia em um dos principais polos econômicos e sociais do Norte de Mato Grosso.
Reconhecida por suas belezas naturais e potencial econômico, Alta Floresta construiu uma história marcada pelo espírito desbravador de milhares de famílias que acreditaram no sonho de construir uma nova vida em meio à floresta amazônica. Ao longo das últimas cinco décadas, o município tornou-se símbolo do desenvolvimento regional, da integração nacional e da consolidação do Nortão mato-grossense.
A história de Alta Floresta começa na década de 1970, durante o processo de ocupação incentivado pelo Governo Federal na Amazônia Legal. O principal idealizador do projeto foi Ariosto da Riva, empresário paulista conhecido nacionalmente como “o último bandeirante do século XX”.
Por meio da empresa INDECO — Integração, Desenvolvimento e Colonização — Ariosto da Riva liderou um dos maiores projetos privados de colonização do país. A proposta era transformar a região em uma grande colônia agrícola planejada, baseada inicialmente na agricultura familiar e no desenvolvimento organizado da ocupação territorial.
As primeiras frentes de trabalho chegaram à região em 1974 para abertura de estradas e implantação da infraestrutura inicial. Em 21 de abril de 1975, as primeiras equipes instalaram-se nas proximidades do atual Trevo São Cristóvão, considerado marco histórico do início da cidade. A fundação oficial de Alta Floresta ocorreu em 19 de maio de 1976.
O nome do município nasceu de um concurso promovido por veículos de comunicação da capital mato-grossense. A professora Nelza Luci Asvolinsque Faria foi a vencedora ao sugerir o nome “Alta Floresta”, expressão que sintetizava as características naturais da região amazônica.
Desde os primeiros anos, Alta Floresta recebeu milhares de migrantes vindos principalmente das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Famílias oriundas do Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul enfrentaram enormes desafios em busca de oportunidades e de um novo futuro.
Os pioneiros encontraram uma realidade marcada pela ausência de infraestrutura, isolamento geográfico, estradas precárias, dificuldades de comunicação, doenças tropicais e pela imensidão da floresta amazônica. Mesmo diante das adversidades, a cidade cresceu rapidamente.
Em poucos anos surgiram escolas, comércio, serrarias, pistas de pouso, bairros e os primeiros serviços públicos. A emancipação político-administrativa ocorreu em 18 de dezembro de 1979, consolidando oficialmente a estrutura institucional do município, com a implantação da Prefeitura e da Câmara Municipal.
Ao longo de sua história, Alta Floresta vivenciou importantes ciclos econômicos que moldaram seu desenvolvimento. O primeiro deles foi o ciclo agrícola, baseado em culturas como café, arroz, milho, feijão, cacau e guaraná. Apesar das dificuldades logísticas e de adaptação de algumas culturas, a agricultura foi essencial para os primeiros anos de ocupação.
Na década de 1980, a descoberta de ouro transformou profundamente a economia local. O garimpo atraiu milhares de pessoas de diversas regiões do país e colocou Alta Floresta entre os principais centros garimpeiros da Amazônia brasileira.
O ciclo do ouro impulsionou o crescimento populacional, fortaleceu o comércio e acelerou a urbanização da cidade. Hotéis, oficinas, lojas e estabelecimentos ligados à compra de ouro passaram a movimentar intensamente a economia local. Ao mesmo tempo, o período também trouxe desafios relacionados à ocupação desordenada, conflitos fundiários e impactos ambientais.
Posteriormente, o setor madeireiro tornou-se uma das principais bases econômicas da região. Serrarias e indústrias de beneficiamento impulsionaram a geração de empregos e a arrecadação municipal durante décadas. Com o passar dos anos, o setor passou a adaptar-se às exigências ambientais, incorporando práticas de manejo sustentável e certificações.
A partir da década de 1990, a pecuária consolidou-se como um dos pilares da economia local. O município fortaleceu sua atuação no agronegócio, expandindo a cadeia produtiva ligada à criação bovina, frigoríficos, transporte e comércio agropecuário.
Mais recentemente, Alta Floresta passou a integrar a nova fronteira agrícola do Norte de Mato Grosso, impulsionada pela expansão da soja, do milho e da agricultura mecanizada. O avanço logístico regional e as conexões com os corredores de exportação fortaleceram os investimentos e ampliaram a importância econômica do município.
Além da força do agronegócio, Alta Floresta também conquistou reconhecimento internacional pelo potencial ambiental e turístico. Cercada pela biodiversidade amazônica e cortada por importantes rios, como o Teles Pires, a região tornou-se referência em ecoturismo, pesca esportiva e observação de aves.
O município destaca-se mundialmente no segmento de birdwatching, atraindo turistas, pesquisadores e observadores de aves de diversos países. Hotéis de selva, reservas florestais e o turismo científico passaram a integrar a economia regional, reforçando a vocação ambiental da cidade.
A identidade cultural de Alta Floresta também foi construída pela diversidade de influências trazidas pelos pioneiros e pelas transformações econômicas vividas ao longo dos anos. A cultura local reúne tradições sulistas, amazônicas, sertanejas, indígenas e garimpeiras.
Eventos tradicionais, como as homenagens aos colonizadores e às famílias pioneiras, ajudam a preservar a memória dos desbravadores que participaram da construção do município. O Dia do Pioneiro, instituído oficialmente, simboliza o reconhecimento às famílias que chegaram antes da emancipação política.
Ao longo dos últimos cinquenta anos, Alta Floresta consolidou-se como referência regional em saúde, educação, comércio, prestação de serviços, transporte aéreo e desenvolvimento urbano. Sua influência ultrapassa os limites territoriais do município, alcançando diversas cidades do extremo norte mato-grossense, além de contribuir diretamente para o surgimento e fortalecimento de municípios vizinhos.
Mesmo diante dos desafios históricos relacionados à infraestrutura, preservação ambiental, expansão urbana e desenvolvimento sustentável, Alta Floresta manteve sua capacidade de adaptação e crescimento, tornando-se uma das cidades mais importantes da Amazônia mato-grossense.
Neste marco histórico de cinquenta anos, o município celebra não apenas sua trajetória de desenvolvimento econômico e social, mas principalmente a coragem, a determinação e o espírito pioneiro de homens e mulheres que ajudaram a transformar a floresta em uma cidade próspera, acolhedora e estratégica para Mato Grosso e para o Brasil.
A Câmara Municipal de Alta Floresta homenageia todos os pioneiros, trabalhadores, lideranças e famílias que contribuíram para a construção desta história. Cinquenta anos depois da fundação, Alta Floresta segue olhando para o futuro sem perder suas raízes, reafirmando sua importância como símbolo de desenvolvimento, integração regional e valorização da Amazônia mato-grossense.
