O sistema de Justiça de Mato
Grosso consolidou-se como um dos mais caros do Brasil em relação ao tamanho da
economia do estado. De acordo com o relatório da plataforma JUSTA, o setor que engloba o
Tribunal de Justiça (TJMT), o Ministério Público e a Defensoria Pública,
consome 10,4% de todo o orçamento estadual.
O índice coloca Mato Grosso na 4ª
posição nacional entre os estados que destinam as maiores fatias de seus
recursos para manter o Judiciário.
Enquanto estados populosos como
São Paulo gastam apenas 5,4% de seu orçamento com a Justiça, Mato Grosso gasta
quase o dobro proporcionalmente.
Em valores nominais, o custo
total do sistema em MT atingiu R$ 3,8 bilhões, sendo que o TJMT sozinho é
responsável por R$ 2,5 bilhões desse montante.
O peso de 10,4% nas contas públicas mato-grossenses é superior ao de estados como Paraná (8,7%), Bahia (6,8%) e Ceará (7,7%).

Esse alto comprometimento do
orçamento ajuda a explicar a necessidade constante de créditos suplementares,
que em 2024 somaram R$ 464 milhões extras para cobrir, principalmente, gastos
com pessoal e os chamados "penduricalhos".
Este cenário de gastos elevados
agora enfrenta o teto imposto pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal
Federal (STF). A decisão barra pagamentos acima de R$ 46,3 mil, atingindo as
folhas complementares que turbinavam os salários de magistrados e membros do MP
acima de R$ 100 mil.
Com o TJMT tendo o 4º maior peso
orçamentário do país, a readequação exigida pelo STF deve impactar diretamente
a gestão financeira do Estado nos próximos meses.
Para dar legalidade aos
penduricalhos, o STF instalou uma comissão técnica para buscar uma saída jurídica para verbas
indenizatórias que não violem formalmente o teto. O grupo deve
apresentar um modelo nacional até o fim de março.