O levantamento da Sema mostra que, até 1º de dezembro, a Gerência de Planejamento de Fiscalização e Combate ao Desmatamento (GPFCD) coordenou 291 operações de fiscalização, atendendo 3,7 mil alertas, emitindo 3,6 mil autos de infração e 5,7 mil autos de inspeção.
Entre as principais infrações, além da extração ilegal de minério, estão o desmatamento ilegal (78,8 mil hectares), o descumprimento de embargos (71,99 mil hectares), a exploração ilegal de madeira (35,7 mil hectares) e o uso irregular do fogo (10,37 mil hectares).
Segundo o relatório, o avanço do garimpo ilegal é um dos principais fatores de desmatamento em terras indígenas. Em Mato Grosso, a Terra Indígena Sararé liderou o ranking de perda de floresta, com quase 30 quilômetros quadrados desmatados ao longo do ano.
Veja abaixo quantidade de multas aplicadas em cada bioma neste ano:
- Amazônia: R$ 2,486 bilhões
- Cerrado: R$ 228,14 milhões
- Pantanal: R$ 65,26 milhões
- A terra indígena mais desmatada do país
A Terra Indígena (TI) Sararé, localizada em Pontes e Lacerda, a 483 km de Cuiabá, liderou o ranking das terras indígenas mais desmatadas do país na Amazônia Legal em 2024. Entre 2021 e 2024, o desmatamento associado na TI Sararé cresceu 729%. Os dados fazem parte do relatório Cartografias da Violência na Amazônia 2025, divulgado em novembro, que analisou nove estados que compõem a região.
Segundo o levantamento, o principal fator associado à devastação é a expansão do garimpo ilegal na região. O relatório identificou a presença de garimpos ativos dentro da TI Sararé, com uso de escavadeiras hidráulicas, balsas e bombas de sucção.
Na última semana, uma operação da Polícia Federal (PF) destruiu túneis, minas, maquinários e dezenas de acampamentos utilizados pelos garimpeiros (assista acima). Durante a ação, também foram localizados 14 bunkers, com estoques de alimentos e grande quantidade de equipamentos e insumos usados nas atividades ilegais.- De acordo com o levantamento, o garimpo na TI Sararé cresceu 825% entre 2022 e 2024. A atividade passou a ser financiada e protegida por grupos armados envolvidos também com o tráfico de drogas e de armas na faixa de fronteira.
- A pesquisa também identificou registros de cooperação entre garimpeiros e intermediários ligados ao Comando Vermelho (CV), além da atuação de células menores do Comando Classe A (CCA) e de facções bolivianas envolvidas no comércio ilegal de ouro.