Alta Floresta - Domingo, 11 Jan 2026

Extração ilegal de minério na Amazônia lidera multas ambientais em MT

Somente no bioma amazônico, as penalidades somaram quase R$ 2,5 bilhões, e o total de multas aplicadas no estado atingiu R$ 2,7 bilhões.

Por g1 MT e TV Centro América

Foto: Batalhão de Emergências Ambientais.

extração ilegal de minério na Amazônia foi a infração ambiental que mais gerou multas em Mato Grosso em 2025, segundo dados da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema-MT). Apenas no bioma amazônico, as autuações aplicadas somaram R$ 2,486 bilhões. No total, o valor das penalidades ambientais no estado atingiu mais de R$ 2,7 bilhões.

O levantamento da Sema mostra que, até 1º de dezembro, a Gerência de Planejamento de Fiscalização e Combate ao Desmatamento (GPFCD) coordenou 291 operações de fiscalização, atendendo 3,7 mil alertas, emitindo 3,6 mil autos de infração e 5,7 mil autos de inspeção.


Entre as principais infrações, além da extração ilegal de minério, estão o desmatamento ilegal (78,8 mil hectares), o descumprimento de embargos (71,99 mil hectares), a exploração ilegal de madeira (35,7 mil hectares) e o uso irregular do fogo (10,37 mil hectares).


Segundo o relatório, o avanço do garimpo ilegal é um dos principais fatores de desmatamento em terras indígenas. Em Mato Grosso, a Terra Indígena Sararé liderou o ranking de perda de floresta, com quase 30 quilômetros quadrados desmatados ao longo do ano.


Veja abaixo quantidade de multas aplicadas em cada bioma neste ano:


  • Amazônia: R$ 2,486 bilhões
  • Cerrado: R$ 228,14 milhões
  • Pantanal: R$ 65,26 milhões

  • A terra indígena mais desmatada do país

  • A Terra Indígena (TI) Sararé, localizada em Pontes e Lacerda, a 483 km de Cuiabá, liderou o ranking das terras indígenas mais desmatadas do país na Amazônia Legal em 2024. Entre 2021 e 2024, o desmatamento associado na TI Sararé cresceu 729%. Os dados fazem parte do relatório Cartografias da Violência na Amazônia 2025, divulgado em novembro, que analisou nove estados que compõem a região.

  • Segundo o levantamento, o principal fator associado à devastação é a expansão do garimpo ilegal na região. O relatório identificou a presença de garimpos ativos dentro da TI Sararé, com uso de escavadeiras hidráulicas, balsas e bombas de sucção.

  • Na última semana, uma operação da Polícia Federal (PF) destruiu túneis, minas, maquinários e dezenas de acampamentos utilizados pelos garimpeiros (assista acima). Durante a ação, também foram localizados 14 bunkers, com estoques de alimentos e grande quantidade de equipamentos e insumos usados nas atividades ilegais.
  • De acordo com o levantamento, o garimpo na TI Sararé cresceu 825% entre 2022 e 2024. A atividade passou a ser financiada e protegida por grupos armados envolvidos também com o tráfico de drogas e de armas na faixa de fronteira.
  • A pesquisa também identificou registros de cooperação entre garimpeiros e intermediários ligados ao Comando Vermelho (CV), além da atuação de células menores do Comando Classe A (CCA) e de facções bolivianas envolvidas no comércio ilegal de ouro.

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