Alta Floresta - Terça-Feira, 13 Jan 2026

Sem EUA, setor de pesca deixa de exportar US$ 250 milhões

Fonte: GR

Sem alívio das tarifas americanas, ao contrário de outros setores produtivos do país, os exportadores de pescados reclamam de uma alegada falta de "prioridade" nas negociações do governo brasileiro com Washington. Desde agosto, quando o tarifaço entrou em vigor, o setor já deixou de exportar o equivalente a US$ 250 milhões.

Empresas do ramo relatam perda de faturamento e encolhimento da margem com a interrupção quase total de embarques para os Estados Unidos no período. Falam também de dificuldades para acessar o crédito emergencial anunciado pelo Executivo e de planos de demissões no setor caso o tarifaço permaneça.

"Foram 15 anos de trabalho de qualidade, de continuidade para a construção desse mercado para perdermos tudo por causa de um problema político", lamenta Attilio Leardini, presidente da Leardini Pescados, de Navegantes (SC). A empresa exporta cerca de 60 contêineres de espécies da costa Sul brasileira, como corvina, castanha, gordinho, anchova e tainha, aos EUA por ano. Desde o início do tarifaço, foram enviadas cinco cargas. "O envio ainda foi acordado com o nosso cliente, rachamos o custo do tarifaço, só por uma questão de zerar o estoque e cumprir o compromisso", conta.

O empresário ressalta a importância dos EUA para a rentabilidade dos negócios. As companhias brasileiras produzem cortes específicos para atender os americanos. Sem o mercado europeu desde 2017 e com o fluxo aos americanos pressionado pela sobretaxa de 50%, "o setor ficou à deriva", diz Leardini.

"Estamos na mão de mercados que só compram commodities, o peixe inteiro, de baixo valor agregado", afirma. A produção foi redirecionada para destinos menos rentáveis desde então, como África e Ásia, e houve impacto no lucro.

Segundo ele, a concorrência já aumentou e que cada dia fora do mercado americano aumenta a dificuldade para retomar a clientela. "Infelizmente perdemos esse mercado enquanto a Argentina e o Uruguai voltaram a trabalhar com os EUA com preços inferiores aos nossos", relata.

A Cais do Atlântico, empresa com sede em Laguna (SC), viu o faturamento encolher 20% com o tarifaço americano. "Destinamos a produção para outros locais, mas a margem é muito inferior. Isso afetou praticamente 50% da margem de contribuição do negócio como um todo. Os itens que eu tinha de maior relevância eram para os Estados Unidos", diz Jean Gonçalves, sócio-diretor da empresa.

Segundo ele, está no radar um corte de funcionários que trabalhavam em linhas de produção específicas para os EUA.

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