A Câmara Municipal de Várzea Grande enfrenta uma de suas maiores crises institucionais após a deflagração da Operação Cathedra Venalis pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado).

A investigação apura um esquema de corrupção na administração pública municipal, com foco em supostos pagamentos de vantagens indevidas a parlamentares em troca de apoio na disputa pela Mesa Diretora, além de repasses periódicos voltados a comprar o silêncio de agentes públicos sobre irregularidades no Legislativo.

Entre os principais pontos levantados pela apuração, 12 dos parlamentares investigados votaram, em maio, pela recondução de Wanderley Cerqueira (MDB) à presidência da Casa. A exceção entre os alvos foi a parlamentar Rosy Prado (União), que votou no oposicionista Lucas Chapéu do Sol (PL).

O pleito interno anterior terminou com uma margem apertada de apenas um voto: 12 a 11. Posteriormente, o STF (Supremo Tribunal Federal) anulou a votação por entender que houve antecipação excessiva do processo. Nova eleição ainda não foi pautada pelo comando da Casa.

Além dos legisladores locais, a operação cumpriu mandados contra figuras ligadas à gestão municipal e parlamentares de Cuiabá que teriam participado de reuniões com o grupo investigado. As diligências têm o objetivo de reunir novas provas para consolidar as investigações sobre a suposta organização criminosa instalada no âmbito público.

Relação dos parlamentares e alvos investigados:

Wanderley Cerqueira (MDB) – Presidente da Câmara

Gisa Barros (Podemos)

Rogerinho Dakar (PSDB) – Ex-presidente do DAE-VG / Suplente

Cilço da Cruz (PV)

Braz Jaciro (PSDB)

Alecsand / Alessandro Moreira (MDB)

Wender Madureira (Republicanos)

Sargento Galibert (PSB)

Dr. Miguel (Cidadania)

Lucélia Oliveira (Agir)

Kleberton Feitoza (PSB)

Raul Curvo (Republicanos)

Enfermeiro Emerson (PP)

 

Vereadores de Cuiabá alvos da operação:

Alex Rodrigues (Podemos)

Ilde Taques (Podemos)

Servidores de Várzea Grande:

Lorineide – diretora financeira da Câmara

Samir Katumata (PL) – secretário legislativo e suplente

Entenda o caso

Em maio, uma denúncia anônima protocolada junto ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) detalhou a criação de um suposto "quartel-general" da corrupção para garantir o resultado da eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande.

Segundo o documento apurado na época, a articulação era liderada pelo presidente da Casa, Wanderley Cerqueira (MDB). O plano consistia em manter 12 vereadores em regime de confinamento e sob escolta de policiais à paisana em uma chácara localizada no distrito de Nossa Senhora da Guia, em Cuiabá.

A propriedade pertence ao vereador Dr. Miguel (Cidadania) e o isolamento servia para aguardar a data da sessão que definiria o comando do Legislativo.

A denúncia repassada ao Ministério Público também alertou para a circulação de um grande volume de dinheiro em espécie no local, supostamente destinado à compra de votos.

Além da disputa pela presidência da Câmara, o documento apontava que o objetivo da organização ia além: o plano do grupo envolvia forçar a cassação da prefeita Flávia Moretti (PL) para assumir o controle total do município, com foco estratégico em um pré-acordo de propinas e acertos voltado para a bilionária privatização do DAE (Departamento de Água e Esgoto).