A proibição das bets anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrou resistência no futebol brasileiro, com críticas à perda de receitas e aos efeitos sobre contratos já assinados. O Flamengo contestou publicamente a decisão, enquanto a Federação Paulista de Futebol (FPF) alertou para o risco de clubes ficarem sem condições de honrar seus compromissos.

“O jogo não vai acabar com uma canetada”, afirmou o Flamengo em nota oficial publicada na sexta-feira (25). Para o clube, a proibição das empresas autorizadas pode fortalecer o mercado clandestino e retirar recursos do esporte.

O rubro-negro questiona a mudança nas regras depois de empresas e instituições terem assumido compromissos com base na regulamentação aprovada pelo próprio Estado. A nota defende fiscalização mais rigorosa, mas cobra segurança jurídica para investimentos e contratos.

Segundo o Flamengo, os impactos atingem o futebol profissional, as categorias de base, as equipes femininas e os esportes olímpicos. O clube também aponta consequências para empregos, fornecedores e arrecadação pública. 

Corinthians e Palmeiras já debatiam restrições ao setor antes da medida federal. Conforme registro oficial da FPF, os dois participaram de reunião em 11 de setembro com Santos, São Paulo, Juventus e marcas de apostas. O encontro tratou de campanhas educativas, jogo responsável e dos efeitos de uma possível proibição de publicidade nos estádios da capital paulista.

Em 17 de setembro, a FPF publicou o manifesto “O fim do futebol brasileiro”, também divulgado no site oficial do Flamengo. O documento defende a manutenção do mercado regulamentado e afirma que mudanças abruptas ameaçam contratos, planejamento e capacidade de investimento das equipes. 

A preocupação inclui clubes do interior e divisões de acesso, que, segundo o manifesto, não têm alternativas imediatas para substituir o dinheiro das apostas. O texto também alerta para o risco de insolvência de agremiações.

“O torcedor não pode pagar essa conta”, afirma a publicação. As entidades reconhecem os danos sociais associados às apostas e defendem o reforço da prevenção, da fiscalização e da proteção às pessoas vulneráveis.

A medida provisória assinada por Lula na sexta-feira (25) proíbe a exploração e a publicidade das apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos online. O governo justifica a decisão pelos prejuízos financeiros, familiares e à saúde associados à atividade.

Segundo o Ministério da Saúde, as empresas têm até 5 de outubro para retirar materiais físicos de publicidade e patrocínio. O cronograma prevê que sites e aplicativos saiam do ar a partir de 6 de outubro.