O candidato ao Senado e ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), avaliou de forma crítica a grave crise institucional instalada no Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu a atuação incisiva do Senado Federal para conter o desgaste entre os Poderes.
Durante o lançamento da campanha à reeleição do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi (Podemos), Mauro alertou nesta quarta-feira (9) que a população brasileira será a principal prejudicada pelo cenário de confrontos abertos na cúpula do Judiciário.
A instabilidade na Suprema Corte ganhou mais peso após uma sequência de decisões cruzadas e reviravoltas jurídicas envolvendo o inquérito das "Fake News" e os desdobramentos de investigações ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O ápice do conflito incluiu medidas como a decisão em que o ministro André Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, após relatórios de inteligência apontarem atritos e monitoramentos cruzados nos gabinetes da Corte.
Na sequência, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração dos delegados ao cargo, enquanto o presidente da Corte, Edson Fachin, interveio para suspender as medidas, centralizar os procedimentos na presidência e convocar o plenário para debater a validade dos documentos da PF que citam trocas de mensagens entre o banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes.
Para Mauro Mendes, o nível de atrito institucional transformou o cenário jurídico em um "samba do crioulo doido" e reflete uma inversão perigosa de papéis na República. "Na maior parte dos países do mundo, não se sabe o nome dos ministros da Suprema Corte [...] No Brasil, grande parte dos brasileiros sabe o nome dos ministros do STF e seria incapaz de dizer o nome de três ou quatro jogadores da Seleção Brasileira. Algo está muito errado", criticou o ex-governador.
Mendes cobrou uma intervenção do parlamento. "O Senado Federal precisa entrar nessa parada, precisa harmonizar esses poderes, precisa exercer o seu papel de moderador na República. Do jeito que está, o Brasil vai pagar um preço caro por essas brigas institucionais".
Questionado sobre a possibilidade de abertura de processos de impeachment contra ministros da Suprema Corte, o candidato defendeu que a prerrogativa constitucional seja aplicada caso haja provas e ritos legais cumpridos, rechaçando a ideia de que magistrados estejam blindados de responsabilização.
"Nós já vimos presidentes alvos de impeachment, governadores afastados, desembargadores, juízes e prefeitos afastados do cargo. Então é inimaginável que um ministro do Supremo não possa ser também afastado, existindo ali a culpabilidade comprovada e um processo que garanta a ampla defesa", concluiu.
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