Oliver Yoshio Umeda Yatsugafu, de 47 anos, professor de música e maestro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), foi indiciado pela Polícia Civil pelos crimes de assédio sexual e constrangimento ilegal contra estudantes da instituição. O indiciamento ocorreu após a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá (DEDM) concluir dois inquéritos que apuraram as condutas atribuídas ao professor. Pelo fato de os crimes terem penas baixas, ele não será preso preventivamente.
O primeiro inquérito, instaurado em 28 de janeiro, investigou um caso de assédio sexual contra uma estudante de música de 21 anos, que participava de um projeto de extensão coordenado por Oliver. Durante as investigações, a Polícia Civil ouviu familiares, colegas da vítima e outras pessoas ligadas ao ambiente universitário.
Os depoimentos apontaram comportamentos invasivos e abordagens diferenciadas por parte do professor em relação à estudante, que teria sofrido abalos emocionais em decorrência das atitudes. Com base nos elementos reunidos, a polícia concluiu haver indícios suficientes da prática do crime de assédio sexual, previsto no artigo 216-A do Código Penal.
Já no segundo inquérito, instaurado em 22 de junho, os investigadores apuraram que duas musicistas, de 23 e 39 anos, foram chamadas pelo professor para uma reunião, em novembro de 2025, antes de um ensaio realizado no Departamento de Artes da UFMT. Na ocasião, Oliver teria pedido que elas conversassem com a estudante de 21 anos para convencê-la a retornar às aulas do projeto musical.
Durante a conversa, o professor teria se posicionado em frente à porta da sala e, por cerca de três minutos, impedido que as musicistas deixassem o local. Após conseguirem se livrar do acusado, elas buscaram abrigo em outro espaço da universidade, onde foram encontradas emocionalmente abaladas.
Nesse caso, o professor foi indiciado pelo crime de constrangimento ilegal, previsto no artigo 146 do Código Penal.
Negou as acusações
Em depoimento, Oliver negou ter restringido a liberdade das mulheres e afirmou que a reunião tratava apenas de questões relacionadas ao projeto musical. No entanto, diante das provas reunidas, ele foi indiciado pela Polícia Civil. Os dois inquéritos foram encaminhados ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e ao Ministério Público do Estado (MPMT), que deverão adotar as providências cabíveis.
O RepórterMT entrou em contato com a UFMT para saber qual é a situação funcional do professor e se ele permanece afastado da instituição, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.
