A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a produção de mosquitos Aedes Aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, tecnologia utilizada para reduzir a transmissão da dengue, zika e chikungunya. Os mosquito serão produzidos pela empresa Flyttr (antiga Oxitec) com o propósito de dificultar a multiplicação do vírus no organismo do mosquito, afim de diminuir a transmissão.
Com a autorização, a empresa passa a ser a segunda empresa habilitada a produzir os mosquitos com Wolbachia no Brasil. Até então, a atividade era realizada exclusivamente pela Wolbito do Brasil, uma biofábrica criada por meio de uma parceria entre o World Mosquito Program (WMP) e a Fiocruz.
Apesar de ser encontrada em cerca de 60% dos insetos na natureza, a Wolbachia não está presente no Aedes aegypti. Em laboratório, pesquisadores conseguem introduzir a bactéria nos ovos do mosquito utilizando uma cepa extraída da mosca-da-fruta.
A técnica foi desenvolvida em 2008 pela Universidade Monash, na Austrália, e consiste na introdução da bactéria Wolbachia no Aedes aegypti. Estudos apontam que a presença dessa bactéria pode reduzir em até 89% a capacidade de transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya, já que os microrganismos têm dificuldade para se desenvolver dentro do mosquito infectado.
Após a criação em laboratório, os mosquitos com Wolbachia são liberados no ambiente para cruzarem com a população local. Com o tempo, a bactéria é transmitida para as novas gerações, formando uma população de Aedes aegypti menos capaz de transmitir os vírus.
A Wolbachia não oferece riscos à saúde humana, pois não é transmitida para pessoas nem para outros mamíferos.
No Brasil, o método começou a ser estudado em 2012. Dois anos depois, Niterói (RJ) tornou-se a primeira cidade do país a receber a tecnologia. Segundo o Ministério da Saúde, a estratégia contribuiu para reduzir em 69,4% os casos de dengue, 56,3% os de chikungunya e 37% os de zika.
