O ex-governador de Mato Grosso e ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Blairo Maggi, sepultou qualquer especulação sobre um possível retorno às disputas eleitorais ou a palanques majoritários.
O megaempresário, que comanda a Amaggi, uma das maiores potências globais do agronegócio e da exportação de grãos, afirmou categoricamente que sua "cota política" está encerrada e explicou que a decisão de se afastar em definitivo da vida pública foi motivada por critérios puramente empresariais, uma vez que o status de Pessoa Politicamente Exposta (PPE) trazia entraves às operações globais de suas empresas.
Segundo Maggi, o cenário econômico e as exigências de governança corporativa mudaram drasticamente nos últimos anos, tornando impossível a antiga prática de conciliar a gestão pública com o comando de grandes corporações. O ex-ministro revelou que a fiscalização rigorosa de bancos e o mercado externo pesaram na balança.
“No passado era possível você estar empresário e estar na política, não havia muito problema. Mas hoje em dia não é mais possível. As pessoas que estão envolvidas ou próximas da política têm problemas de serem PPE (Pessoas Politicamente Expostas). Isso traz grandes problemas e compliance com bancos, com empresas internacionais. A Amaggi, felizmente, se transformou numa empresa grande, que tem contatos e com o negócio no mundo inteiro. Então não tenho como ficar fazendo política e todo dia ficar respondendo uma coisa ou outra, explicando isso, explicando aqui. Ou você vai fazer política, ou você vai fazer negócio. Eu preferi cuidar dos negócios da minha família.”
Atualmente posicionado como um observador do cenário eleitoral, Maggi relatou que voltou de uma viagem aos Estados Unidos (EUA) e que tem se atualizado sobre as articulações locais estritamente por meio do que lê na imprensa regional e nas redes sociais. Avaliando o momento político como "morno", ele projeta que o engajamento das lideranças e dos partidos deve ganhar tração real apenas após o encerramento do período da Copa do Mundo.
Apesar de garantir que não pretende figurar em palanques na condição de candidato, o ex-governador não se furtou a comentar os bastidores do poder em Mato Grosso. Questionado sobre a configuração da chapa majoritária do grupo governista, com a ascensão do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), Maggi sinalizou total tranquilidade e endossou a continuidade do projeto político atual.
O empresário relembrou a trajetória de Pivetta como prefeito de Lucas do Rio Verde, apontando que o modelo de gestão adotado no município serviu de inspiração para as suas próprias ações quando esteve à frente do Palácio Paiaguás.
“Eu sempre defendi o nome do Otaviano na sequência. Obviamente vai disputar uma eleição, tem que passar pelo crivo eleitoral e, se ganhar, a oportunidade de administrar o Estado. Eu tenho certeza que ele fará um ótimo governo. Ele é um bom administrador, tem sensibilidade empresarial. Conheço muito o trabalho que fez em Lucas do Rio Verde, aliás, boa parte do que nós fizemos no meu governo se inicia lá com os exemplos que o Pivetta desenvolvia. Para mim é uma continuidade, não vejo nenhuma surpresa.”
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