Alta Floresta - Quinta-Feira, 11 Jun 2026

Vítimas encontram "musa dos investimentos" em festa em Sinop e pedem retorno da tornozeleira eletrônica

Taiza Tosatt Eleotério Ratola, acusada de causar prejuízo de R$ 2,5 milhões foi vista na Exponorte, em Sinop

VANESSA MORENO DO REPÓRTERMT

Taiza Tosatt Eleotério Ratola acusada de liderar esquema de pirâmide que causou prejuízo milionário foi vista por vítimas dela na Exponorte. Reprodução

Duas vítimas da empresária Taiza Tosatt Eleotério Ratola, acusada de liderar um esquema de pirâmide financeira que teria causado prejuízo de R$ 2,5 milhões a dezenas de pessoas em Mato Grosso, afirmam tê-la encontrado circulando por uma feira agropecuária em Sinop (a 481 km de Cuiabá), no último mês. Agora, elas pedem que a Justiça volte a impor a prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica contra a chamada "musa dos investimentos".

Taiza foi presa em outubro de 2024 durante a Operação Cleópatra, deflagrada pela Polícia Civil, e chegou a cumprir prisão na Cadeia Pública Feminina de Colíder. Em fevereiro de 2025, a prisão foi convertida em domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. Já em novembro do mesmo ano, a Justiça revogou o monitoramento.

Para retirar a tornozeleira, a Justiça acolheu pedido da defesa, que alegou que a "musa dos investimentos" estava prestes a ter um filho e que o equipamento de monitoramento era incompatível com os aparelhos e procedimentos de assistência hospitalar necessários ao atendimento obstétrico.

Agora, em petição apresentada à 7ª Vara Criminal de Cuiabá, as vítimas alegam que já transcorreu o período pós-parto e puerperal e que a acusada se encontra com a saúde restabelecida, tendo retomado integralmente suas atividades, inclusive frequentando ambientes públicos de grande aglomeração e festividades.

Além disso, as vítimas sustentam que fotos de Taiza na Exponorte circulam nas redes sociais, o que contraria decisão judicial que vedou a utilização de plataformas digitais e o engajamento em ferramentas virtuais de comunicação pública por parte da acusada.

“Se a acusada apresenta condições físicas para frequentar eventos de lazer de grande porte e interagir em ambientes de festividade noturna, não subsiste qualquer razão técnica ou humanitária para mantê-la isenta do dever de monitoramento ou dispensada da prisão domiciliar originariamente estabelecida”, diz trecho da petição.

O pedido foi protocolado na última segunda-feira (8) e ainda não foi analisado pela Justiça.

Operação Cleópatra

De acordo com as investigações, Taiza seria a líder do esquema. Proprietária da empresa DT Investimentos, ela utilizava as redes sociais para atrair vítimas, apresentando-se como uma pessoa jovem, bem-sucedida, articulada e especialista em investimentos financeiros.

Segundo a Polícia Civil, com promessas de lucros entre 2% e 6% ao dia, a depender do valor investido, a empresária convencia as vítimas a realizarem aportes elevados, superiores a R$ 100 mil iniciais, em um suposto modelo de investimentos que, conforme a investigação, funcionava como uma pirâmide financeira.

As vítimas recebiam retornos financeiros nos primeiros meses e eram incentivadas a realizar novos aportes. No entanto, após algum tempo, a empresa deixou de efetuar os pagamentos prometidos.

Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão realizado na residência da empresária, em um condomínio de luxo de Sinop, foram apreendidas diversas folhas de cheque que somavam R$ 419 mil, veículos de luxo, uma motocicleta BMW, joias e anabolizantes. Além da empresária, um médico e um ex-policial federal também foram alvos da operação.

A chamada “musa dos investimentos” responde pelos crimes de estelionato, crime contra a economia popular, crime contra as relações de consumo, lavagem de dinheiro, ocultação de bens, direitos ou valores, associação criminosa e contrabando de produtos falsificados.

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