Carlos Fávaro (PSD) foi exonerado do cargo de ministro da Agricultura e Pecuária nesta sexta-feira (27) para retornar ao Senado e votar contra o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS. A decisão ocorre porque a suplente de Fávaro, Margareth Buzetti (PP), demonstrou que votaria a favor do texto, o que vai contra a vontade do governo federal.
À reportagem do GD, Buzetti disse que ficou sabendo da decisão após a publicação no Diário Oficial. Ela estava na sessão e ficou chateada com o modo como foi tratada. “O mínimo de respeito que ele deveria ter era o chefe de gabinete dele avisar o meu chefe de gabinete, mas nem isso”, afirmou.
Conforme a senadora, o relacionamento com Fávaro se deteriorou ao longo do mandato. A mudança de postura ideológica foi decisiva para que a parceria “azedasse”.
“Quem virou a casaca foi ele e não eu. A gente se elegeu pela direita e ele virou a casaca”, disse.
Buzetti não soube informar se a decisão de voltar ao Senado é definitiva. O prazo legal para que Fávaro deixe o governo para concorrer à reeleição termina no sábado que vem, dia 4 de abril.
Para a senadora, o movimento demonstra que a gestão Lula teme o relatório e seu voto. Buzetti afirmou, ainda, que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, deve explicações. Ele é um dos nomes que o relator quer indiciar.
“Se o Lulinha deve, ele que venha se explicar e o seu papai Lula deveria vir aqui, isso é uma vergonha! Não é o governo Lula que está pagando, é o povo brasileiro que mais uma vez está pagando os aposentados”, defendeu.
Buzetti diz que sai de cabeça erguida, apesar da forma desrespeitosa com que foi tratada.