Um esquema bilionário de grilagem de terras foi desarticulado por uma decisão da Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça (TJMT). A fraude, que se arrastava com base em documentos forjados há mais de um século, tentava validar a posse de 360 mil hectares na região do Parque Estadual do Cristalino, no Norte de Mato Grosso. Se o golpe tivesse prosperado, o Estado afirma que seria obrigado a pagar R$ 20 bilhões em indenizações a falsos proprietários.
A decisão do desembargador José Luiz Leite Lindote determinou o cancelamento imediato de uma "matrícula mãe" datada de 1906, além de outras 46 escrituras irregulares que surgiram a partir dela.
As investigações apontaram que os títulos eram "frios" e tinham assinaturas falsificadas. O objetivo dos envolvidos era usar a Gleba Divisa, uma área que abrange os municípios de Novo Mundo, Matupá e Peixoto de Azevedo, como moeda de troca para arrancar valores vultosos do erário estadual sob o pretexto de ocupação de terras.
A área em questão é, na verdade, terra devoluta e pertence oficialmente ao Estado desde 1994. O georreferenciamento realizado em 2022 no Sistema de Gestão Fundiária (Sigef) foi peça-chave para que a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e o Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) comprovassem a fraude técnica.
Além de proteger o bioma do Norte de Mato Grosso, a anulação dos registros garante a segurança jurídica de assentamentos de reforma agrária que ficam dentro do perímetro alvo do golpe.