Em
delação premiada no âmbito da Operação Bilanz, a ex-diretora financeira da
Unimed Cuiabá, Suzana Aparecida Rodrigues dos Santos, afirmou que a
ex-assessora jurídica da cooperativa, Jaqueline Proença Larrea, apontada pelo
Ministério Público como peça central no suposto rombo de R$ 400 milhões, também
teria aumentado expressivamente seu patrimônio, como casa no Florais do Vale,
terrenos no Alphaville, carrões e possível cobertura em João Pessoa. Também
chamou atenção de Suzana o fato de que a ex-superintendente
administrativa-financeira Ana Paula Parizotto teria adquirido uma lotérica no
Shopping Goiabeiras, capital.
O Olhar Jurídico obteve acesso ao conteúdo da
delação, prestada por Suzana entre abril e junho de 2025, com a homologação
efetivada no último dia 10 por ordem do juiz Jeferson Schneider, da 5ª Vara
Federal de MT.
Suzana
prestou quase 2 horas de depoimento e, quanto questionada pelo Ministério
Público sobre a evolução patrimonial dos envolvidos, descreveu o que te chamou
a atenção em face de Jaqueline, Ana Paula e Rubens.
No
caso da advogada, relatou que ela ostentaria padrão “fora do normal”, já que
além da linda mansão no Florais do Vale, também teria comprado dois terrenos no
Alphaville 2, capital, sendo que um deles serviria apenas como garagem aos
diversos carrões. Mencionou ainda a pretensão da jurista em adquirir uma
cobertura de frente por mar em João Pessoa.
“Eu
falei, é? Ela falou, sim. Eu comprei dois terrenos, no Alphaville 2. Eu falei,
vai mudar daquela casa? Ah, sim. Falei, vai. E ela ia construir uma outra casa.
Ela mudou pra lá. E no outro terreno, Iria, iria, do lado, do outro terreno,
ela ia fazer só a garagem, porque aqui tinha o Floral dos Lagos não cabiam
todos os carros”, nos termos da delação.
Sobre
o ex-presidente Rubens de Oliveira Júnior, Suzana relatou patrimônio
relativamente compatível com a posição de médico, dono de clínicas e mandatário
da cooperativa: relatou que ele detinha um apartamento no Brasil Beach, carrões
e que tinha contas no exterior pois seus filhos estudavam fora do Brasil.
Em
relação a Ana Paula, Suzana foi taxativa: confirmou que ela adquiriu uma
lotérica no Shopping Goiabeiras com o dinheiro da rescisão contratual, após ser
demitida da cooperativa.
“Aí,
eu encontrei ela. Falei, você tá passando aqui? Ela falou, sim. Eu comprei a
lotérica. Aquela lotérica que fica no subsolo do shopping Goiabeiras. Eu falei,
é? Aí, ela falou, sim. O que tá pra fazer? Eu recebi a rescisão e investi aqui.
Depois, alguém me disse que lotérica é uma coisa trágica. Mas, eu nunca soube”,
acrescentou.
A
delação integra as investigações do Ministério Público Federal sobre um suposto
rombo de cerca de R$ 400 milhões na Unimed Cuiabá entre 2019 e 2023. Conforme
apurado na Operação Bilanz, ex-dirigentes teriam firmado contratos milionários
com empresas sem atividade comprovada para desviar recursos da cooperativa,
além de simular intermediações financeiras e realizar pagamentos por serviços
não executados.
Os
investigados respondem por crimes como estelionato, falsidade ideológica,
lavagem de dinheiro e organização criminosa.
São
alvos da ofensiva, além de Suzana, Rubens Carlos de Oliveira Junior
(ex-presidente); Jaqueline Proença Larrea (ex-chefe jurídica); Eroaldo de
Oliveira (ex-CEO); Ana Paula Parizotto (ex-superintendente); e Tatiana Gráciele
Bassan Leite (ex-chefe de monitoramento).
Para
se livrar das sanções das denúncias e inquéritos, Suzana firmou a delação
premiada. O acordo inclui ação penal que investiga crimes de falsidade
ideológica; sete Procedimentos de Investigação Criminal (PICs), um Inquérito
Policial (IPL) e uma Ação Civil Pública (ACP). Todos os desdobramentos e novos
procedimentos decorrentes dos fatos revelados pela colaboradora entre abril e
junho de 2025.
Para
garantir os benefícios do acordo, Suzana teve que identificar os coautores e
participantes da organização investigada, revelar a estrutura hierárquica e a
divisão de tarefas, bem como a recuperação do montante desviado.
Em
contrapartida, o Ministério Público Federal lhe ofereceu a redução de pena em
1/2, podendo chegar a 2/3 a depender da eficácia da colaboração, referente a
ação de falsidade ideológica. Nas demais investigações, Suzana receberá o
perdão judicial e terá eventual pena privativa de liberdade substituída por
restritivas de direitos.