O
movimento para uma possível greve de caminhoneiros voltou a ganhar força em
todo o país, impulsionado pela alta no preço do diesel e pela insatisfação da
categoria com as medidas adotadas pelo governo federal. Lideranças afirmam que
a paralisação já foi discutida em assembleias e pode acontecer em breve, com
adesão de motoristas autônomos e também de profissionais contratados.
À
frente da mobilização, o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de
Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou
que a paralisação é praticamente certa. Segundo ele, a categoria enfrenta
dificuldades para manter a atividade diante do aumento dos custos.
O
principal ponto de pressão é o diesel, que acumulou alta significativa nas
últimas semanas, impulsionado pela alta do petróleo do petróleo no mercado
internacional, em meio à escalada de tensões no Oriente Médio. Mesmo após
o governo anunciar medidas para reduzir o preço do combustível, como a zeragem
de tributos federais, o impacto foi anulado por reajustes nas refinarias.
Na
prática, os caminhoneiros relatam dificuldade para manter a atividade. O
aumento dos custos não tem sido repassado ao valor do frete, o que reduz a
margem de lucro e, em alguns casos, inviabiliza as viagens.
A
categoria também cobra o cumprimento da tabela de frete, criada após a greve de
2018, e aponta falhas na fiscalização. Entre as reivindicações estão ainda
medidas para conter o preço do diesel, isenção de pedágio em determinadas
situações e maior controle sobre os valores pagos pelo transporte.
Segundo
lideranças, o movimento já tem alcance nacional e conta com adesão em
diferentes regiões, incluindo importantes polos logísticos. Caso a paralisação
se concretize, há risco de impacto no transporte de cargas e no abastecimento,
o que pode afetar diretamente os preços e a economia.
Diante
do avanço das articulações, o governo federal iniciou novas negociações com
representantes da categoria e reforçou ações de fiscalização. Ainda assim, o
clima entre os caminhoneiros é de desconfiança quanto à efetividade das
medidas.
A
orientação inicial é que, em um primeiro momento, os motoristas suspendam as
atividades sem bloquear rodovias. No entanto, a possibilidade de interdições
não está descartada.