A produção brasileira de café deve alcançar 3,8 milhões de toneladas na safra de 2026, o equivalente a 64,1 milhões de sacas de 60 kg. O volume representa um acréscimo de 3,9% em relação à estimativa de janeiro e consolida um recorde na série histórica da pesquisa, iniciada em 2002. O crescimento projetado em comparação ao total produzido em 2025 é de 11,5%. As informações são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e foram divulgadas nesta sexta-feira (13).
O desempenho é puxado principalmente pelo café arábica, que entra em um ano de bienalidade positiva. Esse fenômeno natural da espécie faz com que os cafeeiros produzam mais em anos pares. Além das características biológicas, o clima tem beneficiado as lavouras nas principais regiões produtoras do Centro-Sul do país.
Arábica: MG lidera expansão recorde
A produção estimada para o café arábica é de 2,6 milhões de toneladas, o que corresponde a 43,9 milhões de sacas. O número indica uma alta de 5,6% frente ao levantamento de janeiro. Minas Gerais, o maior produtor nacional da espécie, reavaliou suas projeções em fevereiro e elevou o rendimento médio em 5,5%.
No estado mineiro, a área plantada também registrou crescimento de 2,6%. Em relação à safra de 2025, o rendimento médio em Minas Gerais subiu 18,4%, enquanto a área a ser colhida avançou 5,3%. Segundo especialistas, os preços compensadores praticados nos últimos anos incentivam os cafeicultores a ampliarem investimentos em tratos culturais e novas áreas de plantio.
Minas Gerais deve ser responsável por 1,9 milhão de toneladas (31,9 milhões de sacas) de arábica em 2026. Isso representa uma participação de 72,6% da produção nacional desta variedade. O volume esperado para o estado é 24,7% superior ao colhido no ano passado.
Café canephora: ES mantém hegemonia
Para o café canephora (conilon e robusta), a produção estimada é de 1,2 milhão de toneladas, ou 20,2 milhões de sacas. Embora apresente uma leve alta de 0,4% em relação a janeiro, o volume é 3,7% menor que o recorde registrado em 2025. A queda no rendimento médio de 4,9% impacta a variação, apesar do avanço de 1,3% na área colhida.
O Espírito Santo segue como o principal produtor de conilon no Brasil, com uma participação de 69,4% do total nacional. A expectativa para o estado capixaba é de uma colheita de 841,3 mil toneladas (14 milhões de sacas). Outros estados também registraram avanços em fevereiro, como Rondônia (alta de 1,4%) e Minas Gerais (alta de 6,8%).
Em Rondônia, a produção deve atingir 182,6 mil toneladas, respondendo por 15,1% do total nacional de canephora. Já em Minas Gerais, a produção da espécie deve chegar a 31,6 mil toneladas, um aumento de 7,4% em relação a 2025. Apesar do clima favorável, produtores monitoram o volume e a frequência das chuvas neste primeiro quadrimestre.