Uma das principais feiras do calendário agrícola nacional, a Expodireto Cotrijal chega à 26ª edição a partir desta segunda-feira (9/3) em Não-Me-Toque, no Norte do Rio Grande do Sul. A expectativa é de que até 280 mil pessoas circulem durante cinco dias pelo Parque da Cotrijal, cooperativa agropecuária que organiza o evento, voltado principalmente à inovação e à tecnologia no campo.
A programação conta com os fóruns dedicados às cadeias da soja, do milho, do leite, do trigo e florestas, entre outros eventos. Também há a área dedicada aos produtos da agricultura familiar e a Arena Agrodigital, com a apresentação de ferramentas de inteligência artificial e agricultura de precisão. Em todo o parque, são mais de 600 expositores confirmados.
Uma das principais atrações da feira é o Pavilhão Internacional, que neste ano deve contar com representantes de cerca de 70 países. As duas nações mais populosas do mundo, China e Índia, devem ampliar sua presença no evento.
A delegação de Nigéria, uma das mais numerosas, deve contar com cerca de 70 pessoas. Alguns países, no entanto, têm encontrado dificuldades em participar da feira em função do conflito em andamento no Oriente Médio.
Mesmo sem divulgar uma estimativa de faturamento para esta edição, a Cotrijal entende que o cenário de endividamento que atinge muitos produtores gaúchos, prejudicados por intempéries climáticas recentes, pode impactar negativamente nos negócios. "Negócios deverão sair, mas não como naquela euforia de bons tempos, boa safra e bons preços", resume o presidente da Cotrijal, Nei César Manica.
Por outro lado, a Expodireto deve manter o seu foco como palco de debates dos problemas enfrentados pelo agricultor, com destaque para a questão do endividamento.
"No Rio Grande do Sul, temos tido frustrações de safra, seca, nosso setor está com endividamento. Vamos brigar muito dentro da Expodireto para que se discute securitização, alongamento da dívida, taxa de juros, seguro agrícola", observa Manica.
O dirigente cooperativista tem defendido a criação de um fundo nacional de seguro agrícola, com a participação de toda a cadeia produtiva (governo, produtores, empresas de máquinas, de insumos, etc).
"Quando dá uma seca aqui (no RS), cobre aqui. Quando dá na Bahia, cobre a Bahia. E assim o dinheiro circularia, não teria endividamento, não teria prorrogação de dívida. São temas importantes que a Expodireto tem puxado e nós vamos continuar puxando junto com todas as entidades", explica.
O início da Expodireto Cotrijal coincide com o inicio da colheita da soja na região. O clima tem sido alvo de preocupação dos produtores, uma vez que as chuvas não ocorreram de forma uniforme nos últimos meses. "Vamos torcer para que antes da Expodireto venha uma chuva para dar uma tranquilidade maior", afirma Manica.
Assim como já havia sido adotado na edição do ano passado, os organizadores não irão divulgar os números finais de negócios contabilizados durante o evento.
"Nós entendemos que o número divulgado não é o mais importante. O mais importante é as pessoas virem aqui, discutirem tecnologia, inovação. Muitas vezes se compara uma feira com a outra e aí vira uma competitividade desnecessária", justifica Manica.